A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA - Parte II

May 29, 2019

Acometido de pleurisia com febre palustre, Dom Pedro II encontrava-se em Milão e seu estado era tão frágil que os médicos ficaram desenganados.

Durante este período, o Congresso Brasileiro, por pressão dos partidos, grupos e imprensa abolicionista, novamente colocava em votação a lei para a abolição da escravatura.

Após três intensos dias de calorosas deliberações, em 13 de maio de 1888, finalmente era abolida a escravidão no Brasil.

Sem perder tempo, a Princesa Isabel que regia o país desde a partida do Imperador para o exterior, assinará a Lei Aurea.

Em Milão, a Imperatriz Thereza Christina Maria de Bourbon recebia as notícias que não paravam de chegar do Brasil, porém poupava o Imperador de tais questões, uma vez que a doença lhe enfraquecera a tal ponto que até mesmo a fala lhe ficara escassa.

Aos 25 de maio, Dom Pedro II estava então muito fraco e moribundo quando fora assistido pelo Arcebispo de Milão que lhe dera os últimos sacramentos da Igreja Católica Romana.

Neste momento a Imperatriz achou conveniente informar a Dom Pedro II da grande notícia recebida no dia 13 de maio.

Conta-se que imediatamente o olhar do Imperador se reanimou e ele perguntou:

-“Não há então escravos no Brasil?”

- “Não, respondera a imperatriz, votou-se a lei em 13 de maio; a escravidão foi abolida”.

- “Rendamos graças a D’s!! disse então; telegrafem imediatamente a Isabel enviando-lhe minha benção com meus agradecimentos a Nação e as Câmaras”.

Sua alegria era tanta que lhe dera força para pronunciar as seguintes palavras:

-“Grande povo! Grande povo!...”

E correram lágrimas de seus olhos.

A redenção de dois milhões de escravos, a vitória do grande princípio de igualdade e da dignidade humana trouxe uma alegria tão profunda ao Imperador que aos poucos fez desaparecer seu perigo de vida,deixando-lhe pronto para regressar ao Brasil.

Era o fim da propriedade servil que enriquecia os colonos e empobrecia a existência.

O Mundo foi ao delírio! Comunidades judaicas de Paris saudavam Dom Pedro II, pois os próprios judeus foram escravos no Egito durante 210 anos sob a dinastia dos Faraós.

Todos os países da Europa saudavam aquele homem, Dom Pedro II, que era agora Rei de um povo livre, vejam só!Enfim, para honra do gênero humano foi suprimido no Brasil o tráfico negreiro e emancipados os escravos.

Contudo, umaminoria de escravagistas insurgentes ainda previam que a abolição da escravatura acarretaria a ruína do Brasil e a desorganização do trabalho agrícola.

Mas a verdade foi que a elaborada e dosada forma do devido processo legislativo sob a qual fora abolida a escravidão no Brasil não representou diminuição de lucros, mas sim elevou as riquezas dos fazendeiros e desenvolveu o país.

Além do trabalho do homem livre ser muito mais produtivo e mais fecundo,as despesas dos agricultores são menores com o trabalhador livre do que com escravos que eles compravam, alimentavam, vestiam, tratavam nas enfermidades e protegiam quando inválidos.

Enfim, o contentamento era quase geral, não fosse uma minoria de agricultores insatisfeitos com a perda da propriedade servil. Esse grupo de descontentes se declaravaRepublicano.

 

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