O HEBRAICO DE DOM PEDRO II E SUA RAÍZES RELIGIOSAS - Parte II

May 3, 2019

Dom Pedro II, em sua vida, teria declarado sobre a Toráh:

“Amo a bíblia, leio-a todos os dias, e quanto mais leio, mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Não compreendo tais pessoas; mas eu a amo. Amo sua simplicidade e amo suas retrações e repetições da verdade”.

Sobre seus estudos do hebraico escreveu D. Pedro II:

“Quanto ao histórico de meus estudos hebraicos empreendidos com o fito de melhor conhecer a história e a literatura dos judeus, principalmente a poesia e os Prophetas, assim como as origens do Christiaismo, taes estudos remontam aos anos de paz que antecederam a Guerra do Paraguai, em 1865. Encetei-os durante as minhas permanências em Petrópolis com o Sr. Akerblom, judeu-sueco. Mais tarde retomei-os com o Sr. Koch, ministro protestante, alemão preceptor do filho da Sra. Condessa de Barral, aia de minhas filhas. Após a morte súbita deste, prossegui-os com o doutor Henning... e desde 1886 com meu sábio colaborador e professor de línguas orientais, o doutor Ch. F. Seybold, com quem também continuei o estudo sério do árabe, outrora começado com o Barão de Schreiner, ministro da Áustria no Brasil, que eu já conhecia do Egito...”

O Museu Imperial de Petrópolis conserva os cadernos de estudo de hebraico do Imperador. É o “glossáriumHebraicumLiber Gênesis III &LiberPsalmorum” com 19 folhas de exercícios gramaticais a partir do texto bíblico feitos pelo próprio monarca.

Cabe destacar que as explicações dadas pelo imperador não aparecem em português e sim em inglês e grego. As notas na margem das páginas foram feitas em latim numa caligrafia miúda.

Os rudimentos do hebraico foram utilizados por D. Pedro II para verter para o latim trechos do Velho Testamento que lhe interessavam profundamente.

Para Isaltino Costa, autor do artigo,” D. Pedro II Hebraísta”, publicado no jornal “O Estado de S. Paulo” em 10/12/1995), “o Imperador foi, no Brasil, o precursor dos estudos hebraicos; sendo que os primeiros núcleos de estudiosos por eles começaram a se interessar, ora por diletantismo ora em consequência de uma necessidade imprescindível para o conhecimento aprofundado do esoterismo e das filosofias que têm vínculos com a Cabalá israelita, doutrinas que no Brasil se acham em voga como reflexo do que então ocorria em alguns centros intelectuais da Europa”.

Aos 10 de novembro de 1998, às fls. 16, o Jornal “A Folha de São Paulo” noticiava o tombamento de uma Toráh, em forma de manuscrito, que teria pertencido a Dom Pedro II, e que pertenceria, atualmente, ao acervo do Museu Nacional, no seguinte texto:

“O IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) anunciou o tombamento de uma Torá que pertencia, provavelmente, ao Imperador D. Pedro II. A Torá, principal texto sagrado dos judeus, reúne os cinco primeiros livros que compõem o Antigo Testamento, a saber: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Em forma de manuscrito, esta bela Torá pertence ao acervo do Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro”.

Dotado de alta capacidade intelectual, o Imperador, correspondia-se com judeus do mundo inteiro recebendo muitos livros judaicos que permitiram-lhe formar robusto acervo literário no palácio. Foi influenciado pelo judaísmo e com ele influenciou a cultura brasileira.

 

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