O HEBRAICO DE DOM PEDRO II E SUA RAÍZES RELIGIOSAS - Parte I

May 1, 2019

O interesse de Dom Pedro II pela língua hebraica surge ao acaso. Um dia caminhando pelos jardins do palácio da Quinta da Boa Vista, o Imperador encontrou uma gramática hebraica esquecida por um missionário estrangeiro. Muito interessado na cultura, como era seu costume, iniciou-se no idioma em 1860, por sua vontade, tendo como primeiro professor o judeu sueco LeonhardAkerblom.

Rápido desenvolveu, o Imperador, a escrita e a leitura em língua hebraica, o que lhe habilitou a verter livros da Bíblia do hebraico para o latim, entre eles: Cântico dos Cânticos do Rei Salomão; Eclesiastes; Lamentações; Provérbios; Isaias; Salmos; o Livro de Rute e o complexo Livro de Jó.

Devoto cristão, dizia D. Pedro II que dedicava-se ao estudo do hebraico com a finalidade de conhecer a fundo a cultura judaica, os Livros dos Profetas e, assim, melhor entender sua própria religião.

Uma das traduções mais bonitas do hebraico, levada a cabo pelo Imperador,foi a do Salmo 122 “Vamos subir à Casa do Senhor”, descrevendo a chegada dos peregrinos a Jerusalém.

Quando em visita a sinagogas, Dom Pedro II, fazia questão de participar dos cultos.

Em “O Diário de Viagens à Europa em 1871” redigido por Alexis Boulanger, foi relatada a visita feita por Dom Pedro II, em 08 de julho de 1871, à sinagoga de Londres. Depois de entrar na Sinagoga Central, o jornal “The Times” em 14 de julho de 1871 comunicava aos leitores: “O Imperador do Brasil é versado em hebraico, lê e entende o culto”.

Já em agosto do mesmo ano, um jornal do Rio de Janeironoticiava aos brasileiros a “proeza” do monarca na sinagoga londrina: “Produziu grande impressão ter S.M. tomado um livro e lido corretamente o hebraico”.

Em 1876, D. Pedro II, repetiria a mesma façanha, como publicou o “Daily EveningBulletin” em 29 de agosto de 1876:“Na sinagoga, em Sutter Street, repetiu a proeza de Londres. Discutiu hebraico com os rabinos. Fez questão de desdobrar e traduzir o rolo sagrado e isso era respeitável”.

Naquele ano, J. C. Fletche, missionário protestante dava seu testemunho sobre a fluência do hebraico do monarca:“Ouvi-o ler hebraico sem vogais, tão fluentemente como se fosse um judeu”.

 

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