ASPECTOS HISTÓRICOS: O COMÉRCIO ULTRAMARINO E O DESCOBRIMENTO DO NOVO MUNDO BRASIL - Parte II

March 1, 2019

Geograficamente privilegiados pelas costas marítimas, os portugueses cedo colocaram em prática o antigo sonho espanhol de descobertas de terras em além mar. Em uma palavra, perceberam a importância das relações comerciais com outros povos.

Favorecido pelos judeus exilados da Espanha, versados na matemática, astrologia e astronomia – matéria ligada à astronomia que estuda a influência dos astros na vida do homem e sobre os acontecimentos das nações –, que também fugiam das perseguições eclesiásticas e que vieram se estabelecer nos quarteirões judaicos portugueses chamados de judiarias, Portugal rapidamente tornou-se em potência não só nos estudos náuticos como também na fabricação de instrumentos para este fim como, por exemplo, o Astrolábio, instrumento idealizado por Abraham ibnEsra, judeu espanholnascido em Toledo em 1092 e que tinha por finalidade determinar a altura das estrelas.

Porém, no que diz respeito aos feitos náuticosestes somente tomaram corpo prático com o filho do Rei Dom João I, o Infante Dom Henrique, pois entendeu que para seu país conquistar vantagens e independência, tornando-o estimado e considerado, deveria ter colônias em além-mar e comercializar com elas e que para isso fazia-se necessária a fundação de um centro de estudos especializado em navegação.

Firme em seu ideal, foi “O Navegador”, apelido do Infante, que instituiu em Sagres, na província de Algarve, a primeira escola de navegação, logo consagrando-se como importante centro de estudos no segmento marítimo levando potencias poderosas como a Espanha a buscarem orientações de navegação em Portugal.

Para a função de diretor da escola, Dom Henrique escolheu o Mestre Jacome de Malorca ou JehudaCrescas, seu verdadeiro nome, filho de Abraham Crescas, um dos mais famosos cartógrafos da época que devido a sua grande experiência na fabricação de bússolas também foi chamado de “El Judio de lasBrújulas”.

Dando segmento a política de expansão consagrada por Dom Henrique, o Rei Dom João II nomeou uma comissão de peritos para tratar sobre todos os assuntos inerentes a navegação, inclusive o exame e decisão de acender ao pedido de Cristóvão Colombo, de lhe por à disposição os navios necessários para as suas viagens de descobrimento; segundo consta este pedido foi recusado, conforme constatou Kurt Loewenstamm.

Pouco a pouco vinha sendo ativado um complexo poderio português pela energia transformadora da evolução mercantil, fundada especialmente na nova tecnologia, concentrada na nau oceânica, com suas novas velas de mar alto, seu leme fixo, sua bússola, seu astrolábio e, sobretudo, seu conjunto de canhões de guerra.

O centro de decisões português estavaem Lisboa, dotada sua corte de muitos serviços, sobretudo do poderoso Conselho Ultramarino, que tudo previa, planificava, ordenava e provia.

Contudo, diante da expansão da Espanha, proveniente de suas colônias, objeto de especial atenção como ameaça sombria e permanente de absorção e liquidação da lusitanidade, o Rei de Portugal, Dom Manoel, não pretendendo ficar atrás do país vizinho, reuniu uma frota de treze navios com o fim de desenvolver mais a obra de Vasco da Gama na Índia, construindo fortalezas e iniciando novos intercâmbios comerciais.

O comando supremo da frota com 1500 homens e vinte criminosos foi dado a Pedro Alvares Cabral, que levou com ele um grupo de especialistas.

Dentre os especialistas destacava-se o judeu Gaspar de Lemos, nascido na Polônia e de lá expulso junto com sua família por não acatarem um decreto de 1450 que determinava suas conversões.

Gaspar de Lemos, alguns anos antes, conheceraVasco da Gama na Índia e por este foi admirado, merecendo, quando de seu batismo, o nome de Gaspar de Gama.

Posteriormente apresentado a Dom Manoel, rei de Portugal, demonstrou [Gaspar de Lemos] amplo conhecimento não só do território das Índias como também de seus habitantes o que muito interessou a Corte, uma vez que pretendia lá estabelecer importante ponto comercial.

Assim, tornou-se [Gaspar de Lemos] “pessoa grata” na corte do rei recebendo o título de “cavalheiro de sua casa”. Por isso, acompanhou Pedro Alvares Cabral não só como amigo, mas como conselheiro e intérprete, comandando o navio que levava os mantimentos na frota do descobrimento.

A expedição deixou Lisboa em9 de março de 1500 e descobriu, depois de navegarpor 43 dias, terra desconhecida.

No dia 25 de abril, a frota encontrou um porto tão bom que Cabral o denominou de “Porto Seguro”. Imaginando que a nova terra fosse uma ilha, chamou-a de “Ilha de Vera Cruz”, mas, pouco depois, verificou que se tratava de um continente, dando-lhe o nome de “Terra de Santa Cruz” (Kurt Loewenstamm).

Foi, no entanto, Gaspar de Lemos que, após a posse oficial da terra por Cabral, incumbiu-se de avaliar o precioso achado, descrevendo minuciosamente a grandeza da terra descoberta para a Corte Portuguesa e por isso é, historicamente, considerado o descobridor da grandeza do Brasil.

 

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